Luiz Artur Ferraretto
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domingo, 7 de fevereiro de 2016
Saudades do Tangos e Tragédias
Elisa Kopplin Ferraretto
Luiz Artur Ferraretto
Era quase automático: no fim de dezembro ou início de janeiro, sempre que possível, já íamos nos agendando. E comprávamos os ingressos para a temporada anual de Tangos e Tragédias no Theatro São Pedro. Sempre para a quinta ou sexta fila, evitando um "chamamento voluntário" ao palco para dançar o Copérnico. Não que seja lá uma performance difícil: "Cê não pode mexer com as pernas. Cê não pode mexer com as mãos.". Parecia que era eterno, mas algo a sempre surpreender os vivos levou o Maestro Pletskaya em 7 de fevereiro de 2014, deixando tanto seu parceiro, Klaunus Sank, quanto nós, por aqui, bem longe do paraíso dos artistas da Sbórnia. Coisas da vida. No entanto, tão vão sair da memória aquelas noites, quando o espetáculo terminava em frente ao teatro, na Praça da Matriz, com Nico Nicolaiewsky e Hique Gomes regendo os maiores "bahs" do mundo.
Dias depois da morte de Nico Nicolaiewsky, o jornal Zero Hora publicou este artigo, assinado por um de nós, mas que expressa o sentimento de ambos. De fato, nós achamos que se trata da saudade de milhares de fãs.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015
A minha geração
Luiz Artur Ferraretto
"Somos um bando, um bando, um bando e muitos outros." Estas palavras não saíam da minha cabeça, nem dentro do primeiro ônibus, do Teatro Renascença até o centro de Porto Alegre, nem dentro do segundo, do centro de Porto Alegre até a parada meio perdida na esquina da Santos Dumont com a Venâncio Aires, no interior de Canoas, na época, a 30 ou 40 minutos de sacode-sacode naquele Vicasão com reboque. Era como se eu tivesse encontrado a minha tribo naquela noite de 1983. Iria passar o resto do ano falando da peça "Trenaflor", a segunda do grupo Vende-se Sonhos. Ninguém, em Rio Grande, onde eu morava e cursava o terceiro ano de Eletrotécnica no Colégio Técnico Industrial, entenderia bem o que eu sentia. Para a maioria dos meus amigos, já havia sido uma loucura considerável aquele negócio de um dos CDFs da turma decidir fazer Jornalismo. E passar a estudar dobrado em função disto. Naquela noite de 1982, com meus 16 anos, eu comecei a vir morar em Porto Alegre.
A música de Bebeto Alves saiu do sistema de som do Teatro Renascença e seguiu - segue ainda - ecoando na minha cabeça. É, de certo modo, o meu "My generation" particular, sem John Entwistle, Keith Moon, Pete Townshend ou Roger Daltrey: "Just because we get around" e "Hope I die before I get old". Ecoava ainda quando eu assisti os filmes em Super-8 "Deu pra ti, anos 70" e "Inverno". Ecoava quando eu entrei, pela primeira vez, no Bristol, onde, tempos depois, revendo "Hair", me daria conta de como havia envelhecido. Estava já com 19 anos.
Antes, no entanto, precisei ultrapassar a enorme distância entre Rio Grande e Porto Alegre com um vestibular no meio.
Já morando na capital gaúcha, depois de chegar do interior "inocente, puro e besta", como na canção do Raul, não sei se em uma sessão das dez, assisti "Verdes Anos". Foi como se a música de Bebeto Alves fosse uma espécie de base incidental da de Nei Lisboa.
Com o tempo, passadas décadas, ainda ecoando "Somos um bando, um bando e muitos outros", passei a rever com frequência outro Super-8 gaúcho, o meu favorito: "Inverno". Quando os personagens de Werner Schunemann e Luciane Adami passeiam pela cidade, aquela é a Porto Alegre na qual eu sonhava morar ao ler sobre peças, filmes e shows nos jornais "Folha da Manhã" e "Folha da Tarde". Para quem conhece o filme, explico que, hoje, vivo naquela Montevidéu sonhada pelo jornalista de 24 anos do Super-8 em seus doze dias de frio em Porto Alegre. Sigo, no entanto, procurando aquela rambla da margem de cá do Río de la Plata. E ela aparece em algum passeio pela Rua da Praia, infelizmente não mais aquela outra, a do início dos anos 1980.
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