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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Saudades do Tangos e Tragédias

Elisa Kopplin Ferraretto
Luiz Artur Ferraretto

Era quase automático: no fim de dezembro ou início de janeiro, sempre que possível, já íamos nos agendando. E comprávamos os ingressos para a temporada anual de Tangos e Tragédias no Theatro São Pedro. Sempre para a quinta ou sexta fila, evitando um "chamamento voluntário" ao palco para dançar o Copérnico. Não que seja lá uma performance difícil: "Cê não pode mexer com as pernas. Cê não pode mexer com as mãos.". Parecia que era eterno, mas algo a sempre surpreender os vivos levou o Maestro Pletskaya em 7 de fevereiro de 2014, deixando tanto seu parceiro, Klaunus Sank, quanto nós, por aqui, bem longe do paraíso dos artistas da Sbórnia. Coisas da vida. No entanto, tão vão sair da memória aquelas noites, quando o espetáculo terminava em frente ao teatro, na Praça da Matriz, com Nico Nicolaiewsky e Hique Gomes regendo os maiores "bahs" do mundo.


Dias depois da morte de Nico Nicolaiewsky, o jornal Zero Hora publicou este artigo, assinado por um de nós, mas que expressa o sentimento de ambos. De fato, nós achamos que se trata da saudade de milhares de fãs.



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Toca Raul! Alguns vídeos sobre o Maluco Beleza

Luiz Artur Ferraretto

A qualquer momento em algum bar, alguém vai pedir: "Toca Raul!". Aqui em casa, é ligar o aparelho de som e sempre há um momento para o Maluco Beleza. Como áudio não existe sem vídeo, aproveitamos para rever alguns DVDs produzidos por fã-clubes do Raul com clipes. Respeitosamente, em agosto de cada ano, próximo ao dia em que o maior roqueiro da história do Brasil subiu para outro firmamento, assistimos a estes trechos de telejornais gravados em velhas fitas VHS que, com o tempo, fomos digitalizando. Do dia 21 de agosto, as reportagens dos programas "Cidade 5", do SBT de Porto Alegre; "TJ Brasil", do SBT em rede nacional; e do "Jornal Nacional", da Globo.



 
Do dia seguinte ao falecimento do Raul, a cobertura do "Jornal da Band" e do "Jornal Nacional".

 


E uma observação importante: não pretendemos, com a divulgação destes vídeos, todos gravados há duas décadas, desrespeitar direitos autorais. Estão aqui apenas como uma homenagem a Raul Seixas e a todos nós, os seus fãs.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Compactos: em pouco espaço, muitas lembranças

Elisa Kopplin Ferraretto

Às vezes, o preço de um Long Play de vinil pesava muito no orçamento. Em outras, o que a gente queria mesmo era ter apenas uma ou duas canções extraídas do LP, aquelas que as rádios selecionavam como músicas de trabalho e tocavam até a exaustão, mas sempre era bom exaurir um pouquinho mais... Então se podia contar com os bons e velhos compactos, geralmente com uma faixa de cada lado, no máximo duas. Não tinham os belos encartes com letras que a gente encontrava nos LPs, e as capas na maioria das vezes eram apenas um envelope "furado no meio". Mas como quebravam o galho!

Esta caixinha guarda os preciosos compactos que eu e o Luiz amealhamos, separadamente, em nossas juventudes, e depois juntamos, acrescentando mais umas coisinhas que compramos, juntos, em sebões ou no Brique da Redenção.


O que tem aí dentro? De tudo um pouco. A começar pelos infantis. A coleção Disquinho, que trazia maravilhosas narrações dos desenhos e filmes da Disney. As divertidas canções do palhaço Carequinha. Ou o meu inesquecível "A formiguinha e a neve", que não sei como não gastou, de tanto que o ouvi. O que me interessava não era a moral religiosa do final, quando "Deus, que houve todas as preces" salvava a pobre formiguinha que tivera um pé soterrado na neve, mas sim o jogo de palavras e de memória até chegar lá. A protagonista ia pedindo ajuda, sucessivamente, a diferentes personagens. Primeiro ao Sol: "Ó Sol, tu que és tão forte, derrete a neve que prende o meu pezinho", mas cada um respondia que havia alguém mais forte que ele. O Sol, por exemplo: "Mais forte do que eu é o muro que me tapa". E então a formiguinha ia repetindo, somando toda a ladainha: "Ó homem, tu que és tão forte, que bates no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende meu pezinho... ". Ou algo assim, pois escrevo de memória; não quero correr o risco de ouvir o disquinho e, aos 47 anos, chorar (mais uma vez) pela sorte da pobre formiguinha...




E tinha, claro, principalmente, a música. Alguns compactos traziam seleções das "mais mais" do momento, as mais tocadas no rádio. Nacionais e internacionais.



Também tinha curiosidades como essas aí de cima: o compacto do filme "Um dia de sol", reprisadíssimo na Sessão da Tarde da então TV Gaúcha, e  o de um grupo que nunca existiu. O tal The Paris Group era fake, mas a música "Grafitti", apresentada em um comercial de TV da Levis, fez tanto sucesso que se inventou um conjunto para lançar o disco. Bah, e a música (e o comercial também) era linda, mesmo.

 

Nos festivais de MPB, a gente podia contar que iam sair compactos com as principais concorrentes.



Bom... e me desculpem os puristas, mas a gente ouvia de tudo. E assistia ao Chacrinha na TV. Então gostava de ouvir estes "sucessos".


 

Nossa coleção tem coisas de mais qualidade, também, como esse compacto raro do Geraldo Vandré, com "Pra não dizer que não falei de flores", que temos em duas capas diferentes (meio enjambradas)...



 ...ou estes do semanário "O Pasquim"...



...ou da peça de teatro "Bailei na curva".



E quase esquecia – "Toca Raul" – do compacto da novela "O Rebu", trilha sonora do Maluco Beleza e do mago Paulo Coelho. 


Talvez um dos primeiros compactos que ouvi, ainda bem criança, tenha sido um destes do mexicano Pedro Infante, que pertencia aos meus pais. Os outros três comprei já quando adulta, porque, confesso: adoro música mexicana. Quanto mais aiaiaiaiai, melhor.


Também da minha mãe era essa raridade da Celly Campello. Um clássico!


E onde eu ouvia esses compactos? Na maior parte do tempo, foi na minha velha eletrola amarela Philips, cuja tampa era a caixa de som, mono, é claro. Segue comigo até hoje. E a do Luiz, só que vermelha, também está conosco. Ambas funcionam perfeitamente, obrigada.


Voltando aos anos 2010... e não é que os compactos renasceram? Como este aí, do roqueiro gaúcho Wander Wildner. Que beleza! bons tempos, os de ontem, os de hoje, os de sempre!!!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O mundo cabia em uma fita cassete

Elisa Kopplin Ferraretto

Hoje a gente carrega centenas de músicas em um pen drive ou no celular. Mas houve um tempo em que a mídia mais portátil e prática que existia era a fita cassete.


A gente podia comprar as das gravadoras, oficiais. Dava para ter toda uma discografia dos artistas preferidos adquirindo as fitas "seladas", oficiais das gravadoras, que eram lançadas paralelamente aos LPs.


Mas bom mesmo era personalizar, ter fitas que ninguém tinha.
Um jeito era gravar do rádio. Foi assim que eu e minha irmã Mônica montamos nossas primeiras fitas, quando ela ganhou um gravador e toca-fitas, acho que era National. O aparelho não existe mais, mas era bem parecido com este outro, do Luiz, que ele usou até não poder mais.


A gente ligava o rádio, de preferência na Continental, colocava o gravador perto dele e ficava esperando. Quando entrava uma música legal, era só apertar o botão vermelho do REC e o do Play e ficar bem quietinha enquanto a música era gravada. Não podia tossir, espirrar ou se mexer muito na cadeira, porque todo ruído saía na gravação. Se o cachorro latisse o pátio, então, a música estava arruinada. E às vezes quem estragava tudo era o locutor, que dava o prefixo bem no meio da canção.

Também era muito divertido gravar a voz da gente. Valia tudo: contar piadas, cantar, inventar uma radionovela e, principalmente, falar muita bobagem para depois morrer de rir escutando.
Só não valia se enganar na hora de reproduzir e apertar, sem querer, junto com o Play, o tal botão vermelho, aí desgravava tudo.

A Mônica ganhou o gravador lá nos anos 1970, e foi uma revolução nas nossas criações e brincadeiras. Mas só em meados dos anos 1980 tive acesso a uma maneira muito mais "moderna" de gravar fitas com seleções musicais. Eu estava na faculdade de Jornalismo e, além do emprego fixo, fazia uns bicos como revisora de livros para várias editoras. Entreguei um trabalho grande, ganhei um troco legal (pelo menos para os meus parâmetros de então) e fui correndo para os classificados do jornal, onde achei meu sonho de consumo, que adquiri em seguida: um 3 em 1 usado.


Foi uma festa!  Além de escutar rádio, discos e fitas, podia criar meus próprios cassetes com muito mais qualidade. Nos LPs e compactos simples, selecionava as canções de que mais gostava e gravava as fitas sem nenhuma interferência de ruídos do ambiente (os vira-latas lá fora já podiam latir à vontade).
Depois, identificava tudo numa capinha feita a mão e pronto - tinha um cassete exclusivo!


Quando comecei a namorar o Luiz, em 1989, descobri que minhas capas eram simplórias. Olhem como eram as dele!!!


Nos anos 1990, quando já era difícil encontrar fitas para vender nas lojas de discos brasileiras (também elas se tornando cada dia mais raras), ainda era comum achá-las no comércio de Buenos Aires e Montevidéu. Nas nossas viagens às duas capitais, compramos algumas coisas bem interessantes, como estas da foto.


Não dá para falar em fita cassete sem lembrar de uma verdadeira maravilha tecnológica dos anos 1980: o walkman, como esse aí da foto (só uma ilustração, pois não pertencia a nenhum dos dois, os nossos se perderam no tempo).


Com ele, se escutavam as fitas em qualquer lugar: caminhando na rua, andando de ônibus, estudando... Igualzinho aos players e celulares de hoje. Ou quase: o walkman era "um pouco" maior e mais pesado. Pular de uma música para outra era uma operação lenta e incerta, apertando na tecla Forward, soltando para ver em que ponto estava, apertando de novo, soltando, acionando o Review se tinha passado do ponto... Ah! E para usar o aparelhinho durante algumas horas, era indispensável estar precavido com um bom estoque de pilhas.
Mas a gente se divertia!