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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Figurinha difícil (1) - O álbum da Copa de 1970

Luiz Artur Ferraretto


Colecionar álbuns de figurinha era um dos passatempos de quem, como eu ou o meu irmão, cresceu na segunda metade do século 20. Na época, a gente comprava os envelopes aos poucos, aproveitando alguma sobra de dinheiro destinado à merenda ou para alguma ida ao cinema. Por uma espécie de tradição familiar, em 1970, como minhas tias haviam feito com ele, o Dena foi colecionando este álbum para nós dois. É o da Copa do Mundo daquele ano, a do México, a do tricampeonato ganho pelo Brasil. Eu tinha quatro anos e lembro apenas da minha família correndo até a frente da casa, na rua Francisco Marques, em Rio Grande, a cada gol da seleção.
No verso da capa do álbum, com letra cuidada e com o mesmo esmero dedicado a colar as figurinhas apenas pela parte de cima, meu irmão anotou resultado a resultado, não esquecendo de indicar os nomes dos donos do álbum e que o Brasil sagrava-se tricampeão.


Este negócio de colar a figurinha pela parte de cima era uma herança dos tempos em que se usava grude, embora, em 1970, um comercial de televisão já anunciasse: "Cole com Tenaz e descole se for capaz".


Quem foi guria ou guri nestes tempos também vai recordar a enorme dificuldade para se completar um álbum de figurinhas, ainda mais no caso dos que, como o Dena e eu, moravam bem longe dos principais centros urbanos do país. Era frequente solicitar os cromos faltantes e nunca recebê-los. De fato, a gente nem tentava fazer isto. Dependia da troca de figurinhas com amigos e colegas. Na impossibilidade total de completar um álbum, recorria-se a pequenos "dribles" como colar cromos repetidos, fingindo fechar algumas páginas.



Para a gente, importava mesmo o divertimento em si. E, no caso do álbum e da Copa de 1970, o tri brasileiro. Afinal, pelo menos, as páginas da seleção campeã estavam completas, embora se comentasse que a do Pelé era a figurinha mais difícil do álbum.



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Na "Folha da Criança", o meu primeiro "trabalho" publicado em jornal

Luiz Artur Ferraretto

Pela qualidade da minha primeira incursão no jornalismo, pode-se dizer que o meu futuro na profissão seria algo, na melhor das hipóteses, próximo do zero. Em contrapartida, ninguém deve reclamar da precocidade de minha tentativa. De fato, a culpa é toda do Dena, meu irmão, incentivador dos dois desenhos garatujados em meados de 1970, quando eu nem completara ainda cinco anos. Na época, todo sábado, a "Folha da Manhã", o jornal lido lá em casa, publicava um suplemento infantil. Na edição da "Folha da Criança" de 1º de agosto de 1970, portanto, estavam lá as minhas artes com uma ajudinha do Dena, que acrescentou meu nome e teve a inteligência de identificar cada uma das imagens incluídas nos desenhos.




Pelo jeito, ele e eu gostamos da brincadeira. Assim, logo em seguida, cometi mais um desenho, que saiu em 1º de janeiro de 1971. Pensando bem, o meu trauma em relação às qualidades desta terceira obra de arte, reiterando a falta de potencial das anteriores, talvez esteja na origem do meu futuro desinteresse pelo jornalismo impresso. 


Brincadeiras à parte, a "Folha da Criança", coordenada por Nize Puchalski Teixeira, marcaria o imaginário dos meninos e meninas dos anos 1970. Muito tempo depois, eu descobriria que a minha namorada também tivera uma experiência semelhante. Pois a Elisa enviava para a Tia Nize estorinhas, desenhos e poesias. Segundo ela, "de tanto encher o saco da coitada", um dia recebeu este livrinho aí da foto. A dedicatória diz tudo sobre a importância da "Folha da Criança" e de sua equipe para a gente.