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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Saudades do Tangos e Tragédias

Elisa Kopplin Ferraretto
Luiz Artur Ferraretto

Era quase automático: no fim de dezembro ou início de janeiro, sempre que possível, já íamos nos agendando. E comprávamos os ingressos para a temporada anual de Tangos e Tragédias no Theatro São Pedro. Sempre para a quinta ou sexta fila, evitando um "chamamento voluntário" ao palco para dançar o Copérnico. Não que seja lá uma performance difícil: "Cê não pode mexer com as pernas. Cê não pode mexer com as mãos.". Parecia que era eterno, mas algo a sempre surpreender os vivos levou o Maestro Pletskaya em 7 de fevereiro de 2014, deixando tanto seu parceiro, Klaunus Sank, quanto nós, por aqui, bem longe do paraíso dos artistas da Sbórnia. Coisas da vida. No entanto, tão vão sair da memória aquelas noites, quando o espetáculo terminava em frente ao teatro, na Praça da Matriz, com Nico Nicolaiewsky e Hique Gomes regendo os maiores "bahs" do mundo.


Dias depois da morte de Nico Nicolaiewsky, o jornal Zero Hora publicou este artigo, assinado por um de nós, mas que expressa o sentimento de ambos. De fato, nós achamos que se trata da saudade de milhares de fãs.



domingo, 8 de novembro de 2015

Ruben Val, tango e parrilla no Mercado del Puerto, de Porto Alegre

Luiz Artur Ferraretto

A ideia era reproduzir o ambiente do Mercado del Puerto, de Montevidéu, em Porto Alegre. E os proprietários, o pessoal da parrilla e a equipe de garçons conseguiam. De quebra, o uruguaio Rubén Val cantava tangos, acompanhado por uma base instrumental gravada. Do prédio às margens do Rio da Prata, na capital do Uruguai, emprestava o nome. Ficava na Cairu com Benjamin Constant e, para a Elisa e eu, moradores de Canoas, era de fácil acesso. O Edson, que cuidava do estacionamento, correndo de um lado para o outro, sempre arrumava um lugarzinho para o nosso fusca ano 1975, azul marinho, e, mais tarde, para o Fiesta, vermelho Ferrari, primeiro zero quilômetro comprado por nós.


Os garçons, as garçonetes ou o dono tinham a sinceridade de dizer: "Hoje, não recomendo o assado" ou "Hoje, o assado está perfeito".
Fora as memórias, sobrou pouco do Mercado del Puerto, de vários salões, sufocado por obras intermináveis no entorno. Em um deles, uma noite, ouvimos a rainha do rádio gaúcho Maria Helena Andrade e o flautista Plauto Cruz. Um show. Anos depois, descobrimos que Rubén Val tinha sido figura mítica na Porto Alegre dos anos 1970 com suas casas noturnas de bons vinhos, tangos e comida a não decepcionar ninguém. Dele, guardei um "Top Cultura", programa gravado, em outubro de 1997, pelo Pedro Perurena, meu aluno na época e frequentador do Mercado del Puerto. É uma recordação também do antigo Telecentro da Universidade Luterana do Brasil e do circuito interno de televisão, que alimentávamos com a produção dos alunos da Oficina de TV ligada ao curso de Comunicação Social. Um trechinho, então, do Rubén Val cantando "Caminito":


Assistindo ao vídeo e olhando estas fotografias achadas na internet, dá até para sentir um gostinho dos "asados" e dos "postres" daqueles almoços, jantares e ceias.